Como instalar o Ubuntu Server: passo a passo
Linux & Sistemas · Por Kevin Marcondes · Publicado em · Atualizado em · 9 min de leitura
Este guia mostra como instalar o Ubuntu Server passo a passo: preparar o pendrive, iniciar pelo USB, escolher o particionamento, configurar rede e fazer a pós-instalação. É um passo a passo direto, com comandos prontos para você confirmar que tudo funcionou e evitar armadilhas comuns.
Pré-requisitos e download da ISO
Você precisa de um computador compatível com 64 bits, um pendrive (8 GB ou mais) e a imagem ISO do Ubuntu Server. Faça backup dos dados do computador que receberá a instalação.
Baixe a edição LTS no site oficial. Ela recebe atualizações por vários anos e costuma ser a escolha mais estável para servidores.
Verifique a integridade da ISO com o checksum. Instalar a partir de uma ISO corrompida pode falhar no meio do processo.
- CPU e RAM: quanto mais recursos, melhor performance das suas cargas.
- Pendrive USB 3.0 acelera a gravação da ISO.
- Conexão de rede com internet facilita a instalação de pacotes.
- Backup feito do disco de destino: a instalação vai apagá-lo.
# Linux/macOS: verificar checksum SHA256
echo "<SHA256_ESPERADO> ubuntu-XX.XX-live-server-amd64.iso" | sha256sum -c -
# ou
sha256sum ubuntu-XX.XX-live-server-amd64.iso
# Windows PowerShell: verificar SHA256
Get-FileHash .\ubuntu-XX.XX-live-server-amd64.iso -Algorithm SHA256
Criar pendrive bootável (Windows, macOS e Linux)
No Windows, use uma ferramenta gráfica como Rufus ou balenaEtcher para gravar a ISO no pendrive. Em macOS e Linux, você pode usar o dd no terminal.
Atenção: o dd apaga completamente o pendrive. Verifique o dispositivo de destino antes de executar. Depois de gravar, ejete com segurança.
Se pretende usar contêineres ou virtualização no servidor, vale estudar diferenças de isolamento e HA. Veja um comparativo útil abaixo.
- No Windows: escolha a ISO, o pendrive e grave no modo recomendado.
- No macOS: identifique o disco com diskutil e use rdisk para maior velocidade.
- No Linux: identifique o dispositivo com lsblk e grave com dd.
# macOS: identificar e gravar (ajuste /dev/disk2)
diskutil list
diskutil unmountDisk /dev/disk2
sudo dd if=ubuntu-XX.XX-live-server-amd64.iso of=/dev/rdisk2 bs=4m conv=sync status=progress
sync
# Linux: identificar e gravar (ajuste /dev/sdX)
lsblk
sudo dd if=ubuntu-XX.XX-live-server-amd64.iso of=/dev/sdX bs=4M conv=fsync status=progress
sync
Boot pela USB e opções iniciais do instalador
Conecte o pendrive e acesse o menu de boot (geralmente F12, F10 ou Esc ao ligar). Escolha iniciar pela USB.
Prefira UEFI se o hardware oferecer as duas opções (UEFI e Legacy/CSM). Ele traz melhorias de segurança e compatibilidade com discos GPT.
No instalador, selecione idioma, layout do teclado, rede (DHCP funciona para a maioria) e o fuso horário. Essas escolhas podem ser alteradas depois.
Se aparecer opção de atualizar o instalador antes de prosseguir, aceite. Ajuda a evitar bugs já corrigidos.
Particionamento do disco: escolha guiada ou manual
O instalador oferece modos guiados e manual. Se você não precisa de esquema personalizado, o modo guiado é mais rápido e menos propenso a erro.
Para servidores, LVM e criptografia são opções comuns. LVM facilita expansão de volumes. LUKS protege dados em repouso. Qualquer escolha apagará o disco de destino.
| Opção | Quando usar | Prós | Contras |
|---|---|---|---|
| Usar disco inteiro (guiado) | Instalação rápida em disco dedicado | Simplicidade, menos erros | Menos controle do layout |
| LVM (volumes lógicos) | Precisa flexibilizar tamanho de partições | Redimensionamento e snapshots | Complexidade maior que partições simples |
| Criptografia LUKS | Dados sensíveis em repouso | Protege em caso de furto/perda | Requer senha no boot, impacto pequeno de performance |
| Manual (personalizado) | Requisitos específicos de /, /var, /home | Controle total do esquema | Mais passos e chance de erro |
| ZFS (quando disponível) | Necessita de recursos como snapshots/compressão | Recursos avançados de FS | Mais consumo de RAM e curva de aprendizado |
Configurar rede e hostname
Se DHCP atender, continue assim e ajuste depois. Para IP fixo, configure com Netplan. Ao usar IP estático, reserve o endereço no roteador ou garanta que ele não conflita.
Defina um hostname simples e descritivo, como srv-web-01. Isso ajuda na identificação em logs e monitoramento.
Vai expor APIs ou serviços públicos? Reforce autenticação e limites de requisição. Veja um guia prático abaixo.
- DHCP: rápido e zero atrito.
- IPv4 estático: previsibilidade para DNS e portas.
- DNS público: use registros A/AAAA e PTR se necessário.
# /etc/netplan/01-netcfg.yaml
network:
version: 2
renderer: networkd
ethernets:
enp0s3:
dhcp4: no
addresses: [192.168.1.50/24]
routes:
- to: default
via: 192.168.1.1
nameservers:
addresses: [1.1.1.1,8.8.8.8]
# Aplicar as alterações
sudo netplan apply
Usuário, SSH e firewall básico
Crie um usuário administrador e configure o SSH. Ative o firewall UFW para expor só o necessário. Se desabilitar senha no SSH, garanta que sua chave pública já esteja em authorized_keys.
Para aumentar a segurança, desative o login de root via SSH e, se possível, autenticação por senha.
- Use um usuário próprio e grupo sudo.
- Abra somente a porta do OpenSSH.
- Registre tentativas de acesso para auditoria.
# Criar usuário e dar privilégios
sudo adduser admin
sudo usermod -aG sudo admin
# Instalar e habilitar o servidor SSH (se necessário)
sudo apt update && sudo apt install -y openssh-server
sudo systemctl enable --now ssh
# Endurecer SSH (opcional): desativar root e senha
sudo bash -c 'cat > /etc/ssh/sshd_config.d/hardening.conf <<EOF
PermitRootLogin no
PasswordAuthentication no
KbdInteractiveAuthentication no
EOF'
sudo systemctl reload ssh
# Firewall básico com UFW
sudo apt install -y ufw
sudo ufw allow OpenSSH
sudo ufw enable
sudo ufw status verbose
Pós-instalação: updates e utilitários úteis
Mantenha o sistema atualizado e automatize aplicações de segurança. Instale utilitários que ajudam na operação diária.
Sincronize horário com NTP e defina o fuso horário correto para que logs e agendamentos façam sentido.
Pensando em observabilidade e resiliência desde o início? Veja ideias e guias práticos nos links sugeridos.
- Atualizações automáticas de segurança.
- Fail2ban para bloquear tentativas de força bruta.
- Ferramentas: htop, curl, git, unzip, tar.
# Atualizações e utilitários
sudo apt update && sudo apt -y upgrade
sudo apt install -y unattended-upgrades fail2ban htop curl git unzip tar
# Habilitar serviços importantes
sudo systemctl enable --now unattended-upgrades
sudo systemctl enable --now fail2ban
# Fuso horário e NTP (ajuste a zona)
sudo timedatectl set-timezone America/Sao_Paulo
sudo timedatectl set-ntp true
timedatectl status
Como confirmar que deu certo e solução de problemas
Confirme versão do sistema, rede, SSH e firewall. Se algo falhar, veja abaixo causas comuns e como resolver.
Problemas frequentes: USB que não boota, rede sem IP, erro no GRUB e login SSH bloqueado. Revise mensagens no instalador e nos logs do sistema para pistas.
Se vai operar serviços em produção, estruture processos de deploy e monitore eventos críticos desde o início.
- USB não inicia: regrave a ISO e teste outra porta/cabo. Em UEFI, desative Secure Boot se necessário.
- Sem rede: verifique o Netplan (nameservers e gateway corretos) e aplique com netplan apply.
- Erro de GRUB: garanta modo UEFI coerente com a tabela GPT e o disco correto no boot.
- SSH negado: se desativou senha, confira authorized_keys do usuário e portas no UFW.
- DNS inconsistente: ajuste o hostname e o /etc/hosts, limpe caches com systemd-resolve --flush-caches.
# Versão do Ubuntu e kernel
cat /etc/os-release | grep PRETTY_NAME
uname -r
# Rede e DNS
ip -4 addr show
ip route
resolvectl status | sed -n '1,20p'
# SSH e firewall
systemctl status --no-pager ssh
sudo ufw status numbered
Perguntas frequentes
Qual edição do Ubuntu Server devo escolher: LTS ou não-LTS?
Para servidores, prefira LTS. Recebe suporte e correções por anos e reduz o número de upgrades de versão. Versões não‑LTS trazem novidades mais cedo, mas exigem atualizações mais frequentes. Em ambientes de produção, estabilidade costuma ser prioridade.
Quais são os requisitos mínimos para instalar o Ubuntu Server?
Funciona em processadores 64 bits com poucos recursos, mas a experiência depende da carga. Para usos comuns, 2 GB de RAM já permitem serviços básicos. Para bancos de dados e aplicações, mais CPU, RAM e disco rápido fazem diferença. Avalie conforme o uso.
Preciso usar LVM e criptografia?
Não é obrigatório. LVM facilita crescer volumes sem reinstalar. Criptografia LUKS protege dados em repouso, útil para ambientes com risco físico. Se busca simplicidade máxima, o particionamento guiado sem LVM atende. Se precisa flexibilidade, considere LVM.
Como definir IP fixo após a instalação?
Edite um arquivo YAML em /etc/netplan/ com endereço, gateway e DNS, e aplique com netplan apply. Certifique‑se de que o IP não conflita com o DHCP do roteador. Manter um registro dos IPs reservados reduz surpresas na rede.
Como habilitar acesso remoto seguro via SSH?
Instale o openssh-server, crie um usuário não‑root e adicione ao grupo sudo. No SSH, desative login de root e autenticação por senha se já usa chaves. Restrinja portas com UFW. Teste o acesso em outra sessão antes de encerrar a atual, para evitar travar o servidor.
Posso instalar usando apenas rede (netboot)?
É possível usar métodos de instalação via rede, mas exigem preparação adicional da infraestrutura, como um servidor que forneça as imagens. Para a maioria dos casos, criar um pendrive bootável com a ISO é mais simples e confiável.
Ficou com dúvidas durante a instalação?
Você pode voltar a este guia quando precisar e sugerir melhorias ou temas para próximos tutoriais.
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